Sol vermelho é bonito de se ver
Lua nova no alto que beleza
Céu de azul bem limpinho é natureza
Em visão que tem muito de prazer
Mas o lindo pra mim é céu cinzento
Com clarão entoando seu refrão
Prenuncio que vem trazendo alento
Das chegadas das chuvas no sertão
Ver a terra rachada amolecendo
A terra antes pobre enriquecendo
O milho pro céu apontando
O feijão pelo chão enramando
E depois pela safra que alegria
Ver o povo todinho num vulcão
A negrada caindo na folia
Esquecendo das mágoas sem lundu
Belo é o Recife pegando fogo
Na pisada do maracatu
sexta-feira, 13 de abril de 2012
segunda-feira, 9 de abril de 2012
Buscarei o convívio dos pequenos grupos, priorizarei fazer minhas refeições com os amigos mais queridos. Meu refúgio será ao lado de pessoas simples, pois quero aprender a valorizar os momentos despretensiosos da vida. Lerei mais poesia para entender a alma humana, mais romances para continuar sonhando e muita boa música para tornar a vida mais bonita. Desejo meditar outras vezes diante do pôr-do-sol para, em silêncio, agradecer a Deus por sua fidelidade. Quero voltar a orar no secreto do meu quarto e a ler as Escrituras como uma carta de amor de meu Pai.
Ricardo Gondim
Ricardo Gondim
quinta-feira, 29 de março de 2012
Por aqui
Eu vivo no meu momento silêncio
logo espero poder me escutar,
Tem sido um tempo de muita solidão e beleza.
Uma vida simples mas cheia de importância, passeios no parque, pra ler poesias,
ouvir os pássaros, tomar sol e orar.
Concertos em igrejas centenárias, sem nenhuma pretensão, sentar ouvir e sair.
Sair pelas ruas sem muito destino, só pra ver as pessoas passarem
Puxar assunto com velhinhas tem sido um Robby, elas são simpáticas e doces.
E muita saudade, dessa que só tem na língua portuguesa, cheia de carinho e exagero.
Muito estudo também! estudar em tardes de primavera parece ser mais leve,
na hora do café ouvir a conversa rápida e analasada das meninas da sala
me faz rir por dentro e achar que estou em um filme do Almodovar, principalmente com a quantidade de cores usadas pelos alunos para pintarem seus armários.
e assim ando eu, como diz a música
Prestando atenção em tudo, em cores
e claro bem atento pra não deixar o amor passar sem ser percebido.
domingo, 25 de março de 2012
Uma igreja pequena mas confortável. O órgão soa como que tocado por anjos o altar brilha, o ouro já tomado pela poeira denuncia idade daquela congregação.
Tão imponente o altar nos deixa pequenos e pobres, um trapo diante daquela riqueza de detalhes e volumes belo exemplar do barroco. Mas tudo cheira a velho reflexo de um Deus ainda pregado na Cruz...
Todos se levantam e eis que surge o padre e eu ali na primeira fileira não tive como fugi e orei...
e todos comungaram e tudo se arrastava, longe da grandiosidade de um Deus vivo e Ativo!
E eis que a tão esperada hora surgi, o Coro!
As luzes se apagam e vozes invadem a igreja, dançam como um ballet, sobem e descem como trapezistas de um circo e murmuram pedindo perdão pelo erro e pela culpa.
A grande cúpula da pequena igreja de altar brilhante serve como concha do coro, que invade nossos ouvidos e nos emociona.
A flor da Guerra
Interessante como em 2009 eu não havia reparado nos esboços de Guernica, só olhei para obra "terminada"o que não é de se estranhar tamanha imponência da pintura e de como em uma liquidação a multidão te convida a "mirar" o sofrimento e as cenas de horror retratadas por Picasso. Mas hoje algo me chamou a atenção, talvez porque estamos entrando na primavera, não sei... sei que reparei na flor... que luta pra se manter de pé, dividindo espaço com um resquício de espada, entre os dedos da mão de um braço estendido no chão, como a esperança que talvez tente sobreviver em meio ao sofrimento, ou orgulho daqueles que não desistiram e lutaram até morrer ela está lá sóbria! Tomada por uma frecha de luz, quase desapercebida mas intensa e tão parte dessa pintura que denuncia a barbárie. Por algum momento achei a tivessem colocado ali, como uma brincadeira, uma intervenção artística de Deus pra fazer daquela segunda visita tão intensa quanto a primeira.
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
Soneto da perdida esperança
Perdi o bonde e a esperança.
Volto pálido para casa.
A rua é inútil e nenhum auto
passaria sobre meu corpo.
Vou subir a ladeira lenta
em que os caminhos se fundem.
Todos eles conduzem ao
princípio do drama e da flora.
Não sei se estou sofrendo
ou se é alguém que se diverte
por que não? na noite escassa
com um insolúvel flautim.
Entretanto há muito tempo
nós gritamos: sim! ao eterno
Drummond
Volto pálido para casa.
A rua é inútil e nenhum auto
passaria sobre meu corpo.
Vou subir a ladeira lenta
em que os caminhos se fundem.
Todos eles conduzem ao
princípio do drama e da flora.
Não sei se estou sofrendo
ou se é alguém que se diverte
por que não? na noite escassa
com um insolúvel flautim.
Entretanto há muito tempo
nós gritamos: sim! ao eterno
Drummond
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